PARCEIROS

MAMÍFEROS MARINHOS – Visitantes ocasionais do arquipélago das Cagarras

O Instituto de Estudos da Ecologia de Mamíferos Marinhos (Instituto ECOMAMA), associação beneficente e sem fins lucrativos, tem por fim o desenvolvimento de projetos de fomento à pesquisa científica de mamíferos aquáticos e ecossistemas marinhos, atividades de educação ambiental e ações sociais e de cidadania.

Desde agosto de 2004, o Instituto vem desenvolvendo um estudo de pesquisa, monitoramento e conservação de mamíferos marinhos no arquipélago das Cagarras e áreas adjacentes. As atividades do Instituto realizadas no arquipélago contam com o apoio logístico da operadora de mergulho Tempo de Fundo e das Faculdades Integradas Maria Thereza e o suporte financeiro da Cetacean Society International e Projec A.W.A.R.E. Foundation.

Instituto ECOMAMA: Pela conservação de todas as formas de vida dos oceanos.

Foto: Luiz Claudio Mayerhofer

O Instituto ECOMAMA está realizando um levantamento histórico e atual dos registros de mamíferos marinhos no arquipélago objetivando organizar um inventário das espécies que ocorrem na região. Até o momento, existem informações para as seguintes espécies:

BALEIAS

Baleias-francas-do-sul ( Eubalaena australis ) e baleias-jubarte ( Megaptera novaeangliae ) eventualmente utilizam o arquipélago como área de descanso durante sua longa jornada na temporada migratória de reprodução e cria em áreas de baixas latitudes (julho à dezembro).

Uma baleia-de-bryde ( Balaenoptera edeni ) com cerca de 10m foi encontrada morta por pescadores nas proximidades do arquipélago, em dezembro de 2003. No sudeste sua ocorrência é mais freqüente ao redor das ilhas do litoral sul do Rio de Janeiro e norte de São Paulo, especialmente na época da sardinha. A baleia-de-bryde é uma espécie que não realiza grandes migrações passando um longo tempo de sua vida em águas tropicais.

ORCA

A orca ( Orcinus orca ) é uma espécie cosmopolita, que ocorre desde os pólos até as regiões equatoriais, podendo ser encontrada tanto em águas costeiras quanto em regiões oceânicas, sendo um dos cetáceos que apresentam mais ampla distribuição geográfica. As orcas parecem ocorrer em números moderados na maioria das áreas de sua distribuição como é de se esperar de um predador que está no topo da cadeia alimentar.

Essas gigantes dos mares foram denominadas por antigos navegadores como “matadoras de baleias” o que acabou originado o nome baleia-assassina. Na verdade, as orcas não são baleias e nem assassinas. Tratam-se dos maiores e mais robustos membros da família dos delfinídeos. Sem inimigos naturais quando adultas, predam uma ampla quantidade de mamíferos marinhos, peixes, e lulas como também aves e tartarugas- marinhas.

Nas praias do Rio de Janeiro e de Niterói, da Barra da Tijuca a Itaipuaçu existem registros da ocorrência de orcas, em grupos de até 10 indivíduos, entre os meses de julho a fevereiro. A maior freqüência das avistagens é observada na primavera e no verão.

No final da primavera e início do verão, ventos fortes, vindos do leste, são mais freqüentes e impulsionam as correntes frias em direção a costa. A presença de baixas temperaturas das águas parecem estar relacionadas às ocorrências de orcas que patrulham às águas arquipélago e áreas adjacentes, sendo sua visita relacionada com a disponibilidade de recursos que compõem sua dieta uma vez que as orcas seguem longas distâncias atrás de suas presas. Tem sido verificada uma correlação entre a presença de orcas e raias, peixes que constituem sua dieta.

GOLFINHOS

Grupos de golfinhos-flíper ( Tursiops truncatus ), contendo até 30 indivíduos, incluindo filhotes, são freqüentemente avistados no arquipélago.

O Instituto Ecomama vem direcionado seus estudos especialmente com os golfinhos-flíper, os quais irão gerar informações que subsidiarão à proposição de medidas adequadas que permitirão o manejo e à conservação da espécie em seu ambiente natural.

As seguintes linhas de pesquisa estão sendo desenvolvidas pelo Instituto:

  • Descrição dos aspectos comportamentais
  • Tamanho e composição de grupo
  • Indentificação individual
  • Estimativa populacional no arquipélago das Cagarras e áreas adjacentes (Ilhas Redonda e Rasa)
  • Golfinhos podem .... Abandonar uma área se forem continuamente molestados. Não fazer parte do seu cotidiano, mas podem fazer falta na sua vida !

    Foto: Fabio Cruz

    Em várias partes do mundo, os cetáceos vem sofrendo ameaças à sua conservação. Essas estão diretamente relacionadas com a destruição dos hábitats ao longo de sua área de distribuição, ao intenso tráfego de embarcações e o desenvolvimento urbano em áreas costeiras, a exploração indevida dos mangues, estuários e outros corpos de água, declínio dos estoques pesqueiros através da sobrepesca e da pesca predatória e as capturas acidentais em redes de pesca, registradas ao longo de toda a sua área de ocorrência. Consequentemente, as espécies que habitam águas costeiras encontram-se sob maior pressão antrópica.

    Considerando-se que os deslocamentos da maioria das espécies de cetáceos parecem ser regulados pela variabilidade e pela disponibilidade de alimentos, o declínio da quantidade dos recursos pesqueiros poderá, no futuro, afetar a ocorrência e a distribuição dos cetáceos no arquipélago das Cagarras. Tal fato lamentável acabará resultando na saída desses animais para outras áreas mais produtivas, onde eles possam obter o alimento necessário para a sua sobrevivência com maior facilidade. O problema é que talvez esses locais não apresentem condições ecológicas tão favoráveis quanto as áreas previamente escolhidas. É portanto necessário que estratégias adequadas de conservação de cetáceos levem em consideração a história natural e a ecologia das espécies de presas, especialmente suscetíveis a impactos humanos. De acordo com dados da Oceanic Resource Foundation (San Francisco/USA) 80% das pescarias mundiais encontram-se a beira de um colapso.

    Nenhum de nós quer que o arquipélago das Cagarras se torne um imenso deserto azul !!!!

    Ninguém melhor do que os golfinhos — animais carismáticos que fazem parte do símbolo oficial da cidade do Rio de Janeiro — para chamar a atenção da população sobre a necessidade de proteger um importante ecossistema marinho costeiro de grande interesse científico e conservacionista.

    CAMPANHA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL SOBRE OS GOLFINHOS-FLÍPER

    Em vários locais do mundo existe a possibilidade de encontros muito próximos com golfinhos. O arquipélago das Cagarras oferece uma boa oportunidade para a observação de golfinhos-flíper em seu ambiente natural. O arquipélago é utilizado por esses animais em algumas épocas do ano como área de alimentação, descanso e cria de filhotes, comportamentos considerados críticos para a sobrevivência da espécie. Portanto, nessa área os golfinhos-flíper são particularmente vulneráveis a distúrbios.

    Através das observações realizadas pelos pesquisadores do Instituto ECOMAMA, foi verificado que muitos freqüentadores do arquipélago podem causar danos irreparáveis aos golfinhos e ao seu ambiente devido a conhecimentos inadequados.

    Em abril de 2005, foi implementado no arquipélago um programa educativo sobre os golfinhos-flíper.

    Convidamos você a participar e a colaborar com o nosso trabalho!

    Promovemos palestras sobre os golfinhos-flíper e as medidas que devem ser adotadas para auxiliar na conservação desses animais. Entre em contato conosco para levar a palestra para sua instituição !

    Palestras podem ser agendadas no seguinte e-mail: projetogolfinhos@projetogolfinhos.com.br

    Instituto Ecomama: http://www.ecomama.org.br

    Projeto Golfinhos: http://www.projetogolfinhos.com.br

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